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Type: Tese
Title: A política da (re) existência: o projeto da União das Nações Indígenas (UNI) e sua proposta para os “índios” do Brasil
Author: Anunciação, Flávio Luciano da
First Advisor: Castro, Hebe Maria da Costa Mattos Gomes de
Co-Advisor: Macedo, Michelle Reis de
Referee Member: Viscardi, Cláudia Maria Ribeiro
Referee Member: Jardim, Fernando Perlatto Bom
Referee Member: Carvalho, Keila Auxiliadora
Referee Member: Bicalho, Poliene Soares dos Santos
Resumo: Esta tese analisa a atuação da União das Nações Indígenas (UNI) como expressão da política da (re) existência dos povos originários no Brasil durante a ditadura civil-militar e o processo de redemocratização. A pesquisa investiga como a UNI, primeira organização indígena de alcance nacional dirigida pelos próprios indígenas, articulou um projeto político autônomo fundamentado na autodeterminação, na defesa dos direitos territoriais e na redefinição das relações entre os povos originários e o Estado brasileiro. Parte-se da hipótese de que os indígenas chegaram organizados à Assembleia Nacional Constituinte de 1987 e 1988, munidos de propostas próprias que, longe de reproduzirem um projeto de governabilidade segundo os parâmetros do Estado-nação ocidental, afirmavam a auto-organização das diferentes nações indígenas e confrontavam o paradigma monocultural ao defender a reconfiguração do país sob a perspectiva da plurinacionalidade. Fundamentada em abordagens decoloniais e em diálogo com as epistemologias e os intelectuais indígenas, a investigação mobiliza o conceito de política da (re)existência como chave analítica para compreender as estratégias de organização, articulação interétnica e disputa por espaços de poder. No campo metodológico, recorre à Análise de Conteúdo (AC), aplicada a periódicos da imprensa indígena e indigenista, documentos institucionais, entrevistas e fontes digitalizadas disponíveis no acervo Armazém Memória. Os resultados demonstram que a UNI se constituiu como espaço de protagonismo político e epistêmico, capaz de confrontar o regime tutelar historicamente imposto pelo Estado e de exercer papel decisivo nas conquistas incorporadas aos artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988. Conclui-se que a organização ocupou posição central na formulação de um pensamento político indígena autônomo, contribuindo para a ampliação da cidadania diferenciada e para a redefinição dos horizontes democráticos no Brasil contemporâneo.
Abstract: This dissertation analyzes the role of the Union of Indigenous Nations (UNI) as an expression of Indigenous peoples’ politics of (re)existence in Brazil during the civil-military dictatorship and the process of redemocratization. It examines how the UNI, the first nationwide Indigenous organization led by Indigenous people themselves, articulated an autonomous political project grounded in self-determination, the defense of territorial rights, and the redefinition of relations between Indigenous peoples and the Brazilian State. The study is based on the hypothesis that Indigenous peoples entered the 1987–1988 National Constituent Assembly as an organized political force with proposals of their own. Rather than reproducing a political project based on the parameters of the Western nation-state, these proposals affirmed the self-organization of the different Indigenous nations and challenged the monocultural paradigm by advocating the reconfiguration of the country from a plurinational perspective. Grounded in decolonial approaches and in dialogue with Indigenous epistemologies and intellectuals, the research employs the concept of the politics of (re)existence as an analytical framework for understanding strategies of organization, interethnic articulation, and contestation over spaces of power. Methodologically, it applies Content Analysis (CA) to Indigenous and pro-Indigenous periodicals, institutional documents, interviews, and digitized sources available in the Armazém Memória archive. The findings demonstrate that the UNI constituted a space of Indigenous political and epistemic agency, capable of confronting the tutelary regime historically imposed by the State and playing a decisive role in the achievements incorporated into Articles 231 and 232 of the 1988 Federal Constitution. The dissertation concludes that the organization occupied a central position in the formulation of autonomous Indigenous political thought, contributing to the expansion of differentiated citizenship and the redefinition of democratic horizons in contemporary Brazil.
Keywords: Povos indígenas
União das Nações Indígenas (UNI)
Política da (re)existência
Movimento indígena
Plurinacionalidade
Assembleia Nacional Constituinte
Indigenous peoples
Union of Indigenous Nations (UNI)
Politics of (re)existence
Indigenous movement
Plurinationality
National Constituent Assembly
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA
Language: por
Country: Brasil
Publisher: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Institution Initials: UFJF
Department: ICH – Instituto de Ciências Humanas
Program: Programa de Pós-graduação em História
Access Type: Acesso Aberto
Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil
Creative Commons License: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/21514
Issue Date: 30-Jun-2026
Appears in Collections:Mestrado em História (Dissertações)



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