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Tipo: Tese
Título: Entre sobrecarga, privatização e socialização dos cuidados: percepções de mães da periferia de Juiz de Fora/MG sobre o papel do Estado
Autor(es): Domingos, Suzane Carvalho
Primeiro Orientador: Arribas, Célia da Graça
Membro da banca: Bezerra, Carolina dos Santos
Membro da banca: Bergo, Vitória Marques
Membro da banca: Monticelli, Thays
Membro da banca: Schneider, Élen
Resumo: O trabalho do cuidado, historicamente atribuído às mulheres no Brasil, constitui um dos pilares da reprodução da vida e se expressa como fator de sobrecarga diante da sua distribuição desigual. Em contextos periféricos marcados por pobreza, violência e precariedade estatal, como a Zona Leste de Juiz de Fora/MG, essa sobrecarga assume contornos ainda mais intensos. Esta pesquisa investiga as percepções de mulheres mães responsáveis pelos cuidados da casa e dos/as filhos/as residentes nessa zona sobre a possibilidade de compartilhamento do cuidado com o Estado, a partir de uma abordagem feminista interseccional. Com base em 22 entrevistas realizadas com mulheres majoritariamente pretas e pardas, entre 18 e 55 anos, os resultados evidenciam a centralidade feminina no trabalho doméstico e de cuidado, bem como seus efeitos sobre trajetórias de vida, autonomia econômica e decisões reprodutivas. Embora o problema da sobrecarga seja amplamente reconhecido, as soluções formuladas pelas interlocutoras não apontam para a ampliação de equipamentos públicos coletivos, mas para a ressignificação de um modelo privatista, agora reivindicado em termos mais igualitários, com participação ou financiamento estatal. Argumenta-se que a desconfiança em relação aos serviços públicos, associada às experiências concretas de precariedade, limita a construção de alternativas coletivas, indicando que políticas públicas de cuidado devem considerar as condições sociais e simbólicas que moldam essas percepções.
Abstract: Care work, historically attributed to women in Brazil, constitutes one of the pillars of the reproduction of life and is expressed as a factor of burden in the face of its unequal distribution. In peripheral contexts marked by poverty, violence and state precariousness, such as the East Zone of Juiz de Fora/MG, this overload takes on even more intense contours. This research investigates the perceptions of women mothers responsible for the care of the home and children living in this area about the possibility of sharing care with the State, from an intersectional feminist approach. Based on 22 interviews conducted with mostly black and brown women, between 18 and 55 years old, the results show the female centrality in domestic and care work, as well as its effects on life trajectories, economic autonomy and reproductive decisions. Although the problem of overload is widely recognized, the solutions formulated by the interlocutors do not point to the expansion of collective public facilities, but to the resignification of a privatist model, now claimed in more egalitarian terms, with state participation or funding. It is argued that the distrust of public services, associated with concrete experiences of precariousness, limits the construction of collective alternatives, indicating that public care policies should consider the social and symbolic conditions that shape these perceptions.
Palavras-chave: Cuidado
Trabalho
Mulheres
Desigualdades
Políticas públicas
Care
Work
Women
Inequalities
Public policies
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Sigla da Instituição: UFJF
Departamento: ICH – Instituto de Ciências Humanas
Programa: Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil
Licenças Creative Commons: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/21372
Data do documento: 10-Jun-2026
Aparece nas coleções:Doutorado em Ciências Sociais (Teses)



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