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Clase: Tese
Título : Três ensaios sobre economia da educação e do trabalho: análises longitudinais sobre desempenho educacional e dinâmicas no mercado de trabalho
Autor(es): Ladeira, Edgardo Rodrigues
Orientador: Freguglia, Ricardo da Silva
Miembros Examinadores: Silveira, Douglas Sad
Miembros Examinadores: Barros, Felipe Ferreira de
Miembros Examinadores: Faciroli, Jéssica
Miembros Examinadores: Mancha, André Luiz Pereira
Resumo: O Brasil é um país marcado por elevada heterogeneidade social, econômica e territorial. Com dimensões continentais, população superior a 200 milhões de habitantes e cerca de 40 milhões de crianças entre 0 e 14 anos, compreender os mecanismos de formação e reprodução das desigualdades educacionais e laborais constitui uma questão central para a formulação de políticas públicas. A literatura sobre mobilidade intergeracional sugere que características familiares, habilidades dos pais, ambiente doméstico, investimentos parentais e capital humano herdado influenciam as oportunidades futuras dos filhos. Esse processo pode se manifestar tanto pela transmissão de habilidades quanto pela reprodução de contextos socioeconômicos desiguais, refletindo-se, por exemplo, na ocupação de posições profissionais semelhantes entre pais e filhos. Com base nesse debate, esta tese é estruturada em três ensaios empíricos que investigam dimensões complementares da desigualdade educacional e laboral no Brasil. O primeiro artigo analisa, a partir do Estudo Longitudinal da Geração Escolar 2005 (GERES), a associação entre a ocupação dos pais e o desempenho acadêmico dos filhos nos primeiros anos do ensino fundamental. Controlando por escolaridade parental, tipo de escola, características familiares e indicadores de engajamento dos pais no ambiente escolar, os resultados indicam que filhos de pais em ocupações de "colarinho branco"tendem a apresentar desempenho superior em Matemática e Português quando comparados aos alunos cujos pais não estão nessa condição. O estudo também evidencia a relevância da participação familiar na escola como fator associado ao desempenho educacional. O segundo artigo aprofunda a análise das desigualdades educacionais ao investigar a relação entre distância residência–escola, escolha escolar, mobilidade urbana e desempenho acadêmico. Diferentemente da abordagem tradicional, que trata a distância como uma variável exógena de custo de acesso, o estudo argumenta que a distância observada é endógena ao processo de escolha escolar. Para lidar com esse problema, explora-se a existência de políticas municipais de subsídio ao transporte estudantil, conhecidas como passe estudantil, como fonte de variação institucional. O benefício reduz a restrição financeira associada ao deslocamento e pode ampliar o conjunto de escolas factíveis para as famílias. Utilizando dados do GERES e modelos de Mínimos Quadrados em Dois Estágios, os resultados mostram que municípios com benefício apresentam, em média, maior distância percorrida entre residência e escola. No segundo estágio, a parcela da distância associada à política de mobilidade está relacionada a reduções no desempenho acadêmico, sugerindo que trajetos mais longos impõem custos relevantes à aprendizagem. O terceiro artigo desloca o foco para o mercado de trabalho e investiga os efeitos persistentes da exposição à hiperinflação sobre trajetórias laborais. A partir de um estudo de coortes com trabalhadores que ingressaram no mercado formal em 1989 e em 1995, são analisadas diferenças na dinâmica dos rendimentos ao longo do ciclo de vida laboral. O estudo acompanha os trabalhadores por 22 anos, período suficiente para observar trajetórias de médio e longo prazo no mercado formal, inclusive em relação à janela mínima de contribuições previdenciárias exigida para aposentadoria por idade no Brasil. A análise examina a heterogeneidade dos rendimentos, o risco de quedas salariais, a volatilidade dos ganhos e a permanência no emprego formal ao longo dos estágios inicial, intermediário e avançado da carreira. Os resultados indicam que diferentes contextos macroeconômicos de entrada no mercado de trabalho estão associados a padrões distintos de risco, permanência e dispersão dos rendimentos. Em conjunto, os três ensaios contribuem para o debate sobre mobilidade social, desigualdade educacional e dinâmica do mercado de trabalho no Brasil. A tese mostra que desigualdades se formam e se reproduzem por múltiplos canais, seja no ambiente familiar, nas condições territoriais de acesso à escola e nas trajetórias laborais ao longo do ciclo de vida. Ao articular Economia da Educação e Economia do Trabalho, o estudo evidencia como fatores familiares, institucionais, urbanos e macroeconômicos moldam oportunidades educacionais e laborais em um país profundamente desigual.
Resumen : Brazil is a country marked by high social, economic, and territorial heterogeneity. With continental dimensions, a population of more than 200 million inhabitants, and around 40 million children between 0 and 14 years old, understanding the mechanisms through which educational and labor inequalities are formed and reproduced is a central issue for public policy design. The literature on intergenerational mobility suggests that family characteristics, parental skills, the home environment, parental investments, and inherited human capital influence children’s future opportunities. This process may manifest itself both through the transmission of skills and through the reproduction of unequal socioeconomic contexts, reflected, for example, in the occupation of similar professional positions by parents and children. Based on this debate, this thesis is structured into three empirical essays that investigate complementary dimensions of educational and labor inequality in Brazil. The first article analyzes, using the Longitudinal Study of the 2005 School Generation (GERES), the association between parents’ occupation and children’s academic performance in the early years of primary education. Controlling for parental education, school type, family characteristics, and indicators of parental engagement in the school environment, the results indicate that children of parents in "white-collar" occupations tend to perform better in Mathematics and Portuguese when compared to students whose parents are not in this condition. The study also highlights the relevance of family participation in school as a factor associated with educational performance. The second article deepens the analysis of educational inequalities by investigating the relationship between home–school distance, school choice, urban mobility, and academic performance. Unlike the traditional approach, which treats distance as an exogenous variable reflecting access costs, the study argues that observed distance is endogenous to the school choice process. To address this issue, the analysis exploits the existence of municipal student transportation subsidy policies, known as student passes, as a source of institutional variation. The benefit reduces the financial constraint associated with commuting and may expand the set of feasible schools available to families. Using GERES data and Two-Stage Least Squares models, the results show that municipalities with the benefit have, on average, longer distances traveled between home and school. In the second stage, the portion of distance associated with the mobility policy is related to reductions in academic performance, suggesting that longer commutes impose relevant costs on learning. The third article shifts the focus to the labor market and investigates the persistent effects of exposure to hyperinflation on labor trajectories. Based on a cohort study of workers who entered the formal labor market in 1989 and in 1995, the article analyzes differences in the dynamics of earnings over the working life cycle. The study follows workers for 22 years, a period long enough to observe medium- and long-term trajectories in the formal labor market, including in relation to the minimum contribution window required for old-age retirement in Brazil. The analysis examines earnings heterogeneity, the risk of wage declines, earnings volatility, and continued participation in formal employment across the early, intermediate, and advanced stages of the career. The results indicate that different macroeconomic contexts at labor market entry are associated with distinct patterns of risk, permanence, and earnings dispersion. Taken together, the three essays contribute to the debate on social mobility, educational inequality, and labor market dynamics in Brazil. The thesis shows that inequalities are formed and reproduced through multiple channels, whether in the family environment, in the territorial conditions of access to school, or in labor trajectories over the life cycle. By bringing together the Economics of Education and Labor Economics, the study highlights how family, institutional, urban, and macroeconomic factors shape educational and labor opportunities in a deeply unequal country.
Palabras clave : Ocupação dos pais
Distância residência–escola
Desempenho escolar
Hiperinflação
Mercado de trabalho formal
Parental occupation
Home–school distance
Academic achievement
Hyperinflation
Formal labor market
CNPq: CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::ECONOMIA
Idioma: por
País: Brasil
Editorial : Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Sigla de la Instituición: UFJF
Departamento: Faculdade de Economia
Programa: Programa de Pós-graduação em Economia
Clase de Acesso: Acesso Aberto
Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil
Licenças Creative Commons: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
URI : https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/20997
Fecha de publicación : 16-jul-2026
Aparece en las colecciones: Doutorado em Economia (Teses)



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