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Type: Dissertação
Title: Avaliação de transtorno de luto prolongado e depressão parental na oncologia pediátrica
Author: Melquíades, Míriam de Melo
First Advisor: Santos, Fabiane Rossi dos
Referee Member: Lourenço, Lélio Moura
Referee Member: Lopes, Luiz Fernando
Resumo: A morte de uma criança ou adolescente por câncer constitui uma das experiências mais disruptivas para a identidade parental, com repercussões emocionais, relacionais, simbólicas e clínicas duradouras. Este estudo teve como objetivo avaliar a presença de Transtorno de Luto Prolongado (TLP) e sintomas depressivos em pais e mães enlutados no contexto da oncologia pediátrica, integrando métodos quantitativos e qualitativos para uma compreensão ampliada do fenômeno. Trata-se de um estudo de desenho misto, no qual foram aplicados os instrumentos PG13 e PHQ-9, associados à análise lexicométrica de entrevistas semiestruturadas por meio do software IRaMuTeQ, utilizando Classificação Hierárquica Descendente e Análise Fatorial de Correspondências. Os resultados quantitativos evidenciaram que aproximadamente 29% dos participantes apresentaram escores compatíveis com elevada intensidade de sintomas de luto prolongado e 29% sintomas depressivos moderados, sem correlação significativa entre os escores de luto e depressão, reforçando a distinção clínica entre essas condições. Observou-se ainda aumento expressivo do uso de antidepressivos após o óbito, sugerindo tendência à medicalização do sofrimento parental. A análise qualitativa revelou organização discursiva em dois eixos interdependentes: um eixo emocional-simbólico, marcado por dor, saudade, fé e vínculo continuado, e um eixo clínico-assistencial, relacionado à experiência hospitalar, aos tratamentos e ao cuidado recebido. A integração dos achados demonstra que o luto parental se configura como um processo multidimensional e oscilatório, no qual sofrimento persistente pode coexistir com manutenção funcional, reconstrução de significado e continuidade do vínculo com o filho falecido, em consonância com modelos contemporâneos do luto. Conclui-se que a dor parental, mesmo prolongada no tempo, não deve ser automaticamente patologizada, exigindo abordagens clínicas sensíveis, comunicação empática, acompanhamento psicossocial continuado e integração precoce dos cuidados paliativos, de modo a reconhecer o luto como expressão relacional e humana, e não apenas como entidade biomédica.
Abstract: The death of a child or adolescent due to cancer represents one of the most disruptive experiences for parental identity, with enduring emotional, relational, symbolic, and clinical repercussions. This study aimed to assess the presence of Prolonged Grief Disorder (PGD) and depressive symptoms among bereaved parents in the context of pediatric oncology, integrating quantitative and qualitative methods to achieve a comprehensive understanding of the phenomenon. A mixed-methods design was employed, combining the application of the PG-13 and PHQ-9 instruments with a lexicometric analysis of semi-structured interviews using IRaMuTeQ software, through Descending Hierarchical Classification and Correspondence Factor Analysis. Quantitative findings showed that approximately 29% of participants presented scores indicative of high-intensity prolonged grief symptoms, while 29% exhibited moderate depressive symptoms, with no significant correlation between grief and depression scores, reinforcing their clinical distinction. A marked increase in antidepressant use after the child’s death was also observed, suggesting a tendency toward the medicalization of parental grief. Qualitative analysis revealed a discursive organization structured around two interdependent axes: an emotional-symbolic axis, characterized by pain, longing, faith, and continuing bonds, and a clinical-care axis, related to hospital experiences, treatments, and caregiving trajectories. The integration of findings indicates that parental grief constitutes a multidimensional and oscillatory process in which persistent suffering may coexist with functional adaptation, meaning reconstruction, and the maintenance of bonds with the deceased child, consistent with contemporary grief models. The study concludes that prolonged parental grief should not be automatically pathologized, highlighting the need for sensitive clinical approaches, empathic communication, ongoing psychosocial support, and early integration of palliative care, recognizing grief as a relational and human experience rather than solely a biomedical condition.
Keywords: Transtorno de luto prolongado
Depressão parental
Câncer infantil
Oncologia pediátrica
Luto
Prolonged grief disorder
Parental depression
Childhood cancer
Pediatric oncology
Grief
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
Language: por
Country: Brasil
Publisher: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Institution Initials: UFJF
Department: ICH – Instituto de Ciências Humanas
Program: Programa de Pós-graduação em Psicologia
Access Type: Acesso Aberto
Attribution-NoDerivs 3.0 Brazil
Creative Commons License: http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/20332
Issue Date: 4-Dec-2025
Appears in Collections:Mestrado em Psicologia (Dissertações)



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