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Type: Tese
Title: Experiências de final de vida: características, impacto no processo do morrer e implicações para a relação mente-cérebro
Author: Silva, Taís Oliveira da
First Advisor: Almeida, Alexander Moreira de
Referee Member: Santos, Fabiane Rossi dos
Referee Member: Hallack Neto, Abrahão Elias
Referee Member: Paiva, Bianca Sakamoto Ribeiro
Referee Member: Maraldi, Everton de Oliveira
Resumo: Este estudo investigou a prevalência, conteúdo e significado das Experiências de Final de Vida (EFVs) sob a perspectiva de pacientes em Cuidados Paliativos (CPs) no Brasil, preenchendo uma lacuna na literatura predominantemente focada em estudos com familiares e profissionais e em contextos norte-americanos e europeus. A tese está estruturada em cinco seções: 1) Revisão da Literatura e Justificativa: Aborda a fase final da vida, a importância dos CPs, o conceito de qualidade de morte e as EFVs, suas implicações no processo de morrer e na relação mente-cérebro. 2) Metodologia: Detalha o desenho multicêntrico, longitudinal e de métodos mistos do estudo, realizado em três unidades de CPs brasileiras com pacientes, familiares e profissionais de saúde. Foram coletados dados clínicos dos pacientes (PPS e CAM), e aplicados questionários sobre EFVs (pacientes e familiares) e escalas PHQ-9 e QoDD (familiares). Profissionais preencheram questionários sobre observações prévias de EFVs e participaram de entrevistas. A análise estatística incluiu estatística descritiva, testes de associação (qui-quadrado, ANOVA/Kruskal-Wallis), além de modelos multivariados para identificar preditores de EFVs e da qualidade da morte, ajustados por variáveis clínicas e sociodemográficas. A análise qualitativa das entrevistas está em andamento, utilizando o software MAXQDA (versão 2024) e a perspectiva de análise de conteúdo de Bardin. 3) Resultados: Apresentados em formato de artigos e capítulos de livro, incluindo resultados descritivos e inferenciais preliminares do relatório de qualificação, um artigo focado exclusivamente nos resultados descritivos e produções acadêmicas relativas ao tema central da tese e a temas correlatos. Dos 85 pacientes incluídos, a maioria era religiosa/espiritual (63% moderada/altamente religiosos, 98% acreditavam em Deus, 65% em vida após a morte). Cerca de 34% relataram EFVs, sendo mais frequentes nos últimos oito dias de vida. Quase metade (49%) das EFVs ocorreu durante o sono, 80% foram percebidas como reais e 52% envolveram entes queridos falecidos. Notavelmente, 36% foram reconfortantes e 27% angustiantes, e 78% ocorreram em pacientes lúcidos. A prevalência foi menor e mais angustiante comparada a amostras norteamericanas. 4) Discussão: Apesar das EFVs observadas neste estudo apresentarem características consistentes com a literatura, a proporção relativamente elevada de experiências angustiantes sugere que, além dos fatores individuais, aspectos culturais, sociais e econômicos podem influenciar não apenas a frequência, mas também o tom afetivo dessas vivências. A maioria das EFVs foi relatada por pacientes sem delirium, embora casos de delirium hipoativo relatassem EFVs em menor escala, sublinhando que a diferenciação entre EFVs e delirium é um ponto crítico para a prática clínica. O equívoco na interpretação dessas experiências pode resultar tanto na medicalização desnecessária de vivências subjetivamente significativas como as EFVs quanto na negligência de quadros de delirium que exigem intervenção. 5) Considerações Finais: A consistência das características das EFVs em pacientes brasileiros com as observadas em outros contextos culturais sugere fortemente que essas experiências são um aspecto natural do processo de morrer. Torna-se crucial, portanto, compreender melhor como fatores contextuais e culturais afetam sua interpretação e impacto emocional, especialmente considerando o possível agravamento do tabu da morte durante a pandemia. Os resultados reforçam a necessidade de capacitar os profissionais de saúde para uma avaliação cuidadosa dos estados mentais no fim da vida, integrando aspectos neuropsiquiátricos, fenomenológicos, existenciais e espirituais. Pesquisas transculturais com metodologias padronizadas são essenciais para distinguir padrões universais e variações culturais nas EFVs, aprimorando o cuidado em final de vida para torná-lo mais sensível às necessidades culturais e individuais dos pacientes. Além disso, esses estudos fornecerão dados robustos para a investigação científica sobre a possibilidade da existência da consciência além do cérebro.
Abstract: This study investigated the prevalence, content, and meaning of End-of-Life Experiences (ELEs) from the perspective of patients in Palliative Care (PC) in Brazil, addressing a gap in the literature predominantly focused on studies with family members and professionals, and in North American and European contexts. The thesis is structured into five main sections: 1) Literature Review and Justification: This section addresses the end-of-life phase, the importance of PC, the concept of quality of death, and ELEs, along with their implications in the dying process and the mindbrain relationship. 2) Methodology: This section details the multicenter, longitudinal, and mixed-methods design of the study, conducted in three Brazilian PC units with patients, family members, and healthcare professionals. Clinical data from patients (PPS and CAM) were collected, and questionnaires on ELEs (patients and family members) and PHQ-9 and QoDD scales (family members) were administered. Professionals completed questionnaires on prior observations of ELEs and participated in interviews. Statistical analysis included descriptive statistics, association tests (chi-square, ANOVA/Kruskal-Wallis), and multivariate models to identify predictors of ELEs and quality of death, adjusted for clinical and sociodemographic variables. The qualitative analysis of interviews is ongoing, utilizing MAXQDA software (version 2024) and Bardin's content analysis perspective. 3) Results: Presented in the format of articles and book chapters, this section includes descriptive and preliminary inferential results from the doctoral candidacy report, an article exclusively focused on descriptive results, and academic productions related to the central theme of the thesis and correlated topics. Of the 85 patients included, the majority were religious/spiritual (63% moderately/highly religious, 98% believed in God, 65% believed in life after death). Approximately 34% reported ELEs, with these experiences being more frequent in the last eight days of life. Nearly half (49%) of ELEs occurred during sleep, 80% were perceived as real, and 52% involved deceased loved ones. Notably, 36% were comforting and 27% were distressing, and 78% occurred in lucid patients. The prevalence was lower and more distressing compared to North American samples. 4) Discussion: Although the ELEs observed in this study presented characteristics consistent with the literature, a relatively high proportion of distressing experiences suggests that, in addition to individual factors, cultural, social, and economic aspects can influence not only the frequency but also the affective tone of these experiences. The majority of ELEs were reported by patients without delirium, although cases of hypoactive delirium reported ELEs to a lesser extent, underscoring that the differentiation between ELEs and delirium is a critical point for clinical practice. Misinterpretation of these experiences can result in both unnecessary medicalization of subjectively meaningful experiences such as ELEs and the neglect of delirium conditions that require intervention. 5) Final Considerations: The consistency of ELE characteristics in Brazilian patients with those observed in other cultural contexts suggests that these experiences are a natural aspect of the dying process. It is therefore crucial to better understand how contextual and cultural factors affect their interpretation and emotional impact, especially considering the potential exacerbation of the death taboo during the pandemic. The results reinforce the need to train healthcare professionals for a careful assessment of mental states at the end of life, integrating neuropsychiatric, phenomenological, existential, and spiritual aspects. Furthermore, cross-cultural research employing standardized methodologies is essential to distinguish universal patterns from cultural variations in ELEs, thereby improving end-of-life care to make it more sensitive to the cultural and individual needs of patients. Additionally, these studies will provide robust data for scientific investigation into the possibility of the existence of consciousness beyond the brain.
Keywords: Experiências de final de vida
Sonhos e visões de final de vida
Cuidados paliativos
Hospice
Qualidade de morte
Espiritualidade
End-of-life experiences
End-of-life dreams and visions
Palliative care
Hospice
Quality of death
Spirituality
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
Language: por
Country: Brasil
Publisher: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Institution Initials: UFJF
Department: ICH – Instituto de Ciências Humanas
Program: Programa de Pós-graduação em Psicologia
Access Type: Acesso Aberto
Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil
Creative Commons License: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/18945
Issue Date: 2-Apr-2025
Appears in Collections:Doutorado em Psicologia (Teses)



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